Em assembléia na manhã desta segunda-feira, dia 19, cerca de 10 mil trabalhadores terceirizados da Revap (refinaria da Petrobras, em São José dos Campos), votaram a continuidade da greve iniciada na sexta, dia 16.
Estes trabalhadores em greve são os responsáveis pela obra de modernização da refinaria, que está 100% parada. A mobilização reivindica a negociação do reajuste salarial da categoria, cuja data-base é agora em maio.
A pauta já foi entregue em março, mas até agora as empresas não responderam aos trabalhadores e o sindicato da categoria (ligado à CUT) também nada fez.
A mobilização está sendo liderada pela Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), que há cerca de duas semanas também esteve à frente de outra mobilização dos trabalhadores da construção civil, em Fortaleza.
Na sexta, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (CUT) se colocou contra a greve e abandonou os trabalhadores. A traição gerou grande indignação na categoria, que expulsou o sindicato da assembléia realizada nesta segunda-feira.
A reivindicação dos trabalhadores é que o consórcio de empresas responsável pela obra negocie com a Comissão de Trabalhadores, eleita pela assembléia. A comissão inclui trabalhadores da obra, da Conlutas, do Sindicato dos Metalúrgicos e do Sindicato dos Petroleiros.
Cerca de 60% dos trabalhadores são caldeireiros, fresadores, serralheiros, soldadores, enfim, atuam em atividades metalúrgicas.
"Diante da forte mobilização, as empresas tentam atacar o movimento e alegam que a Conlutas é estranha à categoria. Mas, o apoio dos 10 mil trabalhadores é incontestável. Inclusive, dois diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil também apóiam o movimento", disse o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos e coordenador regional da Conlutas, José Donizete de Almeida.
"As empresas têm de parar de enrolar e negociar as reivindicações dos trabalhadores, cujos salários estão extremamente arrochados", disse.
Por volta das 11h, os trabalhadores da Revap permanecem em frente à entrada da refinaria e uma nova assembléia será realizada às 11h30 para decidir sobre os próximos encaminhamentos.
As reivindicações dos trabalhadores são:
- 20% de aumento real + INPC para todos os salários;
- redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salários;
- pagamento de 100% de horas extras realizadas durante a semana e aos sábados e de 150% aos domingos, sem banco de horas;
- auxílio-alimentação (ajuda de custo) para todos;
- auxílio-passagem a cada dois meses para os que moram fora;
- eleição de uma Comissão de Trabalhadores nas obras das refinarias de São José e São Sebastião, como também nos canteiros de obras em andamento, para junto com o sindicato conduzir as negociações;
- e o mesmo tratamento aos trabalhadores terceirizados, que é dado aos efetivos, principalmente nas questões relacionadas à saúde, higiene, segurança, salário, convênios, etc.
Fonte: www.sindmetal.org.br