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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Organize-se e lute por seus direitos!

Nós, trabalhadores do telemarketing, estamos entre uma das categorias mais exploradas e privadas de direitos no Brasil. Insalubridade, péssimas condições de trabalho, intensificação da produtividade, baixos salários. Tudo isso contribui para que sempre exista um estado de revolta contra as empresas.

Essa revolta poderia ser melhor aproveitada se nos organizássemos para exigir nossos direitos. Revoltas individuais acontecem todos os dias por funcionários insatisfeitos que faltam ao trabalho apresentando atestados médicos, que chegam atrasados ou mesmo ainda aqueles que não exercem suas funções de modo satisfatório tentando seja forma serem demitidos.

Os patrões aproveitam o fato de sermos uma categoria sem tradição de organização e movimentos para nos explorar ainda mais. Também se aproveitam do fato de haver uma alta rotatividade, pois muitos não conseguem agüentar o ritmo pesado do trabalho por muito tempo. “Você está insatisfeito? Peça demissão e procure algo melhor!” É o que dizem aos trabalhadores.

Mas há um outro caminho, e este é o da luta conjunta. Os seus problemas como trabalhador são os mesmos de milhares de outras categorias. Sozinhos, pouco podem fazer, mas se unindo vocês podem paralisar a empresa, prejudicando o lucro dos seus patrões e os obrigando a ouvirem suas reivindicações.

Isso é algo fácil? Que dará resultados imediatos? Não! Mas a história mostra que esse é o único caminho. Todos os direitos trabalhistas que temos hoje são o resultado de lutas passadas, de trabalhadores que decidiram se juntar para melhorarem suas condições de trabalho.

Devemos começar por nós mesmos. Não devemos esperar que ninguém resolva os nossos problemas. Você que acha injusta a situação do seu local de trabalho comece a discutir com outros colegas, debata, reflita e busque as melhores formas de se organizar.

Dê o primeiro passo!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Teleperformance: Operadores dizem um basta ao trabalho escravo

Uma série de acontecimentos “coincidentes” mostram que a Teleperformance em nada difere das demais empresas de telemarketing, é regida pura e simplesmente por uma coisa, os lucros. Qualidade Total, o que eles dizem – com foco nos erros e desconsiderando os acertos – é um logotipo bonito para escravização digital.
Os operadores são avaliados constantemente sempre buscando encontrar erros de atendimento e mesmo se seu desempenho seja alto, a busca se refina em atendimentos curtos para encontrar procedimentos não executados, visando sempre desconto de nota e redução da sua performance. Nunca é recebido feed-back de desempenho ótimo, estes não são enfatizados.
As contas mais malucas fazem com que a nota final dos operadores seja sempre baixa. Seria isso uma forma de driblar o benéfico de participação nos lucros? Parece que sim.
Mas, não fui suficiente para a Teleperformance tencionar o operador para que ele se supere e se desdobre em mil, eles arranjaram uma nova forma de lucrar mais com cada operador, além de trabalharem 20 minutos a mais, os operadores são obrigados a trabalharem sem folgas. Em dezembro, a jornada de trabalho mudou, as escalas foram modificadas e há operadores trabalhando de 10 a 12 dias sem uma folga semanal.
Alguns supervisores, por perceberem que os trabalhadores estão muito descontentes com isso, já disseram que foi um erro essa atual escala de folgas. Erro mesmo?
Por lei, de acordo com a CLT, folgas semanais são obrigatórias, mas a lei que a empresa segue não é a mesma que beneficia o trabalhador, mas a que visa os lucros.
Para a NR 17 a folga semanal obrigatória, também, é explicita, como mostra ponto 5.1.1.:“Aos trabalhadores é assegurado ... pelo menos um dia de repouso semanal remunerado coincidente com o domingo a cada mês, independente de metas, faltas e/ou produtividade.”
Resultado: estresse total na operação, e a orientação dos "chefes" supervisores aos operadores que ficam pela operação auxiliando operadores com dúvidas, foi:..."Informem para os operadores que esta escala não é definitiva, mas se alguém reclamar, anote o nome e funcional, que no próximo mês essa pessoa não estará mais aqui, essa pessoa não serve para trabalhar na empresa. Se alguém reclamar, pode dizer que quem vai aprovar escala de folga de fim de ano sou eu e eu vou usar critérios meus para dizer quem vai ou não sair de folga nos feriados de fim de ano..." - Sr. Fulano.
E os critérios? Subjetivos, os supervisores quando têm folgas extras para oferecer, fazem individualmente, de forma não clara, ninguém nunca sabe qual o critério já que absenteísmo zero e login/logout não são considerados para isso, apesar de ser dito que sim.
Se a empresa diz que o posicionamento é "gente ligando gente", como obriga um funcionário a trabalhar até 12 dias seguidos como escravos, isso parece ser "gente explorando gente". Fora a ameaça que foi feita para os operadores na parte de suporte. Se não venderem antivírus e firewall eles serão mandados embora. Isso porque foram contratados para prestação de suporte e não para vendas. Na real, o suporte tem 200 operadores a menos, é claro que vai ter um acúmulo de tarefas, mas funções que não cabem ao funcionário já é descarado.
No meio de tanta palhaçada a Teleperformance deveria ser coberta com uma enorme lona. Os operadores já estão percebendo que tais absurdos não acontecem com um ou outro, mas são coisas cada vez mais freqüentes na empresa. Mas, sem os operadores, quem vai receber as ligações, os supervisores?
É por isso que estamos fazendo um abaixo assinado, para que todos possam mostrar sua indignação e exigir em conjunto o que é nosso por direito, respeito ao nosso trabalho!

  • Por uma escala de folgas que respeite o descanso semanal garantido por lei!
  • Contra os 20 minutos que os operadores trabalham a mais de graça, operador trabalha 6 horas e não 6 horas e 20 minutos! (olhem em seus contratos de trabalho)
  • Contra o excesso de tarefas e ligações. Funcionários do suporte não tem que vender!
  • Notas de monitorias não devem ser divulgada para todos juntos e sim para o teleoperador em particular.
  • Por aumento salarial – não a salário de fome!
  • Por uma CIPA na Teleperformance. Construir uma sindicato combativo e de luta

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Teleperformance: Desrespeito com os trabalhadores

Nós, operadores da Teleperformance, estamos indignados com o desrespeito com nós, funcionários da empresa.
Empresa esta que enche o peito para falar em sua responsabilidade social. 19 toneladas de alimentos, na "Campanha da Páscoa 2006", 34.071 peças entre agasalhos, colchões, etc, na "Campanha do Agasalho 2007" e zero em cara de pau e vergonha na cara. Tanta benevolência e não sobra nada para os teleoperadores?
A empresa Teleperformance desrespeita os direitos do trabalhador. Um exemplo é a carga horária. Como coloca a nova lei, NR17 (Anexo II) a carga horária tem que ser de 6 horas, e não 6 horas e 20 minutos. E dentro dessas 6 horas você tem os 40 minutos de pausas, sem ficar 20 minutos a mais para pagar o horário de pausa. Isso por que a empresa diz que está dentro da NR17.
A empresa que está "dentro da lei", mas não paga Vale Transporte para alguns funcionários, que tem que tirar o dinheiro do próprio bolso e deixar de pagar suas contas, para poder trabalhar. O pior de tudo é que a Teleperformance não sabe quando vai pagar o Vale Transporte, e não quer nem saber se os funcionários tem condições de ir para o emprego.
A empresa investe 50 milhões em infra-estrutura e 14 milhões em treinamento por ano, um total, de 64 milhões de reais, mas não tem o comprometimento que eles mesmos cobram do funcionário. O lucro cresceu de R$ 373 milhões em 2005 para R$ 400 milhões em 2006. O lucro da Teleperformance, no mundo todo é de R$ 3,2 bilhões, o equivalente a 79 mil apartamentos populares no Brasil. A unidade que nós trabalhamos custou 20 milhões, só para atenderem as expectativas do UOL.
De que adianta a empresa ter premiações 7 anos seguidos da Motorola de "Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente", ter ganhado 12 prêmios nos últimos 2 anos do prêmio ABT, em 2006 de melhor operação de atendimento via web se há exploração na empresa, se a empresa não valoriza o seu funcionário?
A meta da empresa agora é investir no exterior, contratando operadores bilíngües no Brasil. Se eles priorizam esses contratos, que são mais lucrativos e tem mais mercado e abandonam os clientes atuais (ou alguns), isso quer dizer que muitos operadores vão ser mandados embora, principalmente os que não são bilíngües. E os operadores que trabalham com a Brasil Telecon, o que vai acontecer com eles em 2008, quando acabar o contrato?
Já não bastasse tanto desrespeito, o novo presidente da empresa, que nunca nem sentou em uma PA, afirma, sem ficar vermelho, para a revista "Valor Econômico", que "cada profissional também é nosso cliente. Pesquisamos muito esse usuário para atendê-lo da melhor forma possível".
Não podemos deixar que uma empresa que investe mais de 60 milhões de reais nela, lucra absurdos e não investe nos seus funcionários, dando por exemplo um salário mais digno, e passe por cima dos direitos dos trabalhadores como se eles não existissem. Vamos todos nos mobilizarmos assim como seus companheiros de trabalho estão se mobilizando. Vamos brigar por melhores condições de trabalho e um salário mais digno.
Venha construir esse movimento você também!

Fique Atento: a intoxicação é diária!



Texto do Boletim n°1, agosto 2007

Na manhã desta terça feira, dia 14/08, o telemarketing mostrou mais uma vez suas enormes garras aos milhares de jovens que são submetidos a super exploração da categoria. Diariamente a saúde dos 675 mil trabalhadores dos call centers é colocada em risco, 90% deles possuem problemas de saúde geradas pelas péssimas condições de trabalho.
Porém, a ganância por lucros e pela competitividade, não tem limites. A empresa de call center Atento, abriu no ano passado a unidade Belém, que tem capacidade para 2600 PA's (Posição de Atendimento), sendo a maior da América Latina. Esta unidade, além de ser palco de enormes lucros para a empresa, "estreou" hoje os limites da exploração que suga até a última gota de seus funcionários.
Localizada na rua padre Adelino, a unidade Atento Belém, teve suspeita de vazamento de gás, o que gerou a interdição do prédio e da rua, parando a zona leste com um enorme congestionamento. Suspeita, ou realidade? O possível gás levou mais de 30 teleoperadores para os hospitais da região, segundo a assessoria de imprensa da empresa, as vitimas não foram intoxicadas, mas sim, sofreram de "crise nervosa".
Os funcionários sofriam de náuseas, dor de cabeça e ardência nos olhos. O local de trabalho foi vistoriado e nenhum ponto de vazamento foi detectado pelo Corpo de Bombeiros e pela Comgás, para a empresa a causa foi gerada por panos com substâncias não identificadas, encontrados no lixo. Este episódio mostra o estado alarmante de stress e que vivem estes trabalhadores.
Apesar de pregar que seu diferencial em relação as demais empresas de telemarketing é o investimento na qualificação e valorização dos funcionários, a Atento é a empresa que paga pior, menos que um salário mínimo, bem abaixo do piso salarial da categoria, que é 580 reais. Sendo a que mais lucra as custas dos funcionários.
A Atento obteve faturamento recorde em 2006, de 396 milhões de euros (936 milhões de reais). Em 2005 ela cresceu 52,3% em relação ao ano anterior e é a maior empresa de telemarketing no Brasil. Contratou mais de 3000 trabalhadores, neste ano, totalizando 53.257 teleoperadores, o que torna a Atento a 3° empresa privada com mais funcionários, no Brasil.
Sabemos que o modelo adotado em empresas de telemarketing é o ideal para o sistema capitalista e representa o futuro das demais categoria, com a utilização de altas tecnologias, horas de trabalho seguidos, sem intervalos, baixos salários, com altas pressões psicológicas, sem direito de sindicalização e com alta rotatividade de trabalhadores.
Desta forma, o movimento da juventude trabalhadora chama todos a se unirem na luta pelos direitos dos trabalhadores. Precisamos dizer um basta a tanta humilhação e exigir a nossa parte nos enormes lucros.

• Contra hora-extra forçada.
• Direito a intervalo de almoço! Vale transporte e vale
alimentação que cubram os gastos! Direito a auxílio-creche!
• Pela formação de comitês de saúde que encaminhe
denúncias contra as empresas e convênios médicos!
• Abertura imediata das contas das empresas de Call Center!
• Redução da jornada de trabalho sem redução de salário!
• Aumento do piso salarial rumo do salário mínimo da DIESSE (1.600 reais)!
• Jovem trabalhador tambem é estudante! Direito de redução da jornada para possibilitar estudos!
• Pela liberdade de organização sindical! Por um sindicato
democrático e de luta!
• Não às reformas sindical e
trabalhista do governo Lula!