Stress, tendinite, gastrite, desmaios, dor de cabeça, são coisas que fazem parte do cotidiano dos operadores de telemarketing. Reflexo do trabalho repetitivo, sob pressão, que visa sugar até a última gota do trabalhador.
Infelizmente, o telemarketing não é uma exceção no mercado de trabalho. A lógica de diminuir os gastos da empresa para aumentar os lucros e a competitividade entre elas predomina em toda parte. Para isso, a terceirização é muito eficaz, pois um trabalhador terceirizado chega a ganhar até a metade que aquele que trabalha direto para a empresa, exercendo a mesma função.
Não é a toa que as vagas consideradas de baixa qualificação, tem crescido absurdamente, nas quais as condições de trabalho são precárias, a carga horária é maior e o salário cada vez menor. Tais vagas estão no setor de serviços e comércio e são os jovens quem as ocupam, na maioria das vezes. O Telemarketing é uma das categoria que mais cresceu nos últimos anos, o que nos mostra que esta realidade que puni o trabalhador só tende a aumentar.
Mesmo com todo a repressão dos patrões, que tentam preservar seus lucros, o ano de 2007 foi marcado por uma retomada das lutas. Foram bancários, metroviários, metalúrgicos, funcionários públicos, professores, jovens, estudantes, entre muitos outros que foram para a rua, fizeram greve, paralisações, campanhas salariais, lutas contra ataques a categoria......
O ano passado começou intenso, com o encontro dos trabalhadores contra as reformas neoliberais, que retira direitos históricos dos trabalhadores, como licença maternidade, 13° salário, e contou com 6 mil trabalhadores de todo o país . Deste encontro foi tirado um calendário de luta, que terminou com uma grande marcha a Brasília, em outubro, com 20 mil trabalhadores.
Porém, a falta de alternativas e referência de luta tem marcado nosso momento histórico. A CUT (Central Única dos Trabalhadores), que jogou um papel importante de organizar as grandes lutas da década de 80, hoje tenta imobilizar os trabalhadores, para não prejudicar os lucros das empresas. A CUT ao apoiar e defender os interesse do governo, como a Reforma Trabalhista e Sindical, deixou os trabalhadores órfãos de uma entidade que unifique e potencialize as várias lutas que estão ocorrendo. Já a Força Sindical, sempre esteve do lado dos patrões. Tal realidade reflete a ausência de representação real e efetiva da categoria de telemarketing pelo Sintratel e Sintetel.
Foi neste contexto, que foi criada a Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), iniciativa de trabalhadores que diante das contradições existentes em seu local de trabalho e na sociedade, perceberam que podiam construir uma ferramenta de luta para alterar esta realidade. Hoje a Conlutas é composta por sindicatos, movimentos sociais e populares, jovens e estudantes do Brasil inteiro, que lutam contra os ataques do governo aos trabalhadores, contra qualquer forma de opressão e exploração, por melhores condições de trabalho...
Vai ocorrer do dia 3 a 6 de julho, o I Congresso da Conlutas, um espaço aberto para discutirmos a realidade de vida dos trabalhadores e , principalmente, como nos organizar para lutarmos por melhores condições de trabalho e de sobrevivência. Achamos que para isso a construção de uma nova central sindical e popular, que reúna a Conlutas e outras organizações sindicais e movimentos sociais, que estão conosco na luta é essencial e que este congresso pode ser um passo importante.
Onde existe exploração existe resistência, como já dizia Che Guevara e, nós do MJT complementamos, que onde existem trabalhadores unidos existem vitórias. Junte-se a nós nessa luta e participe conosco do congresso da Conlutas!
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