domingo, 27 de julho de 2008

ALGUNS DADOS DA INJUSTIÇA ESTRUTURAL NO BRASIL

Frei Gilvander Moreira

De janeiro de 2007 a 2 de dezembro de 2007, o governo federal gastou R$ 222
bilhões com juros e amortizações das dívidas interna e externa. Para 2008,
estão previstos R$ 248 bilhões para o pagamento dos juros e amortizações da
dívida federal, enquanto apenas serão destinados R$ 48 bilhões para a saúde,
R$ 26 bilhões para a educação e R$ 5 bilhões para Reforma Agrária. Os R$ 248
bilhões previstos para a dívida em 2008 representam mais de 6 vezes a
arrecadação prevista da CPMF, caso não fosse derrubada pelo senado.

Apenas de janeiro a outubro de 2007, o prejuízo do Banco Central, decorrente
da política econômica neoliberal, que privilegia os investidores privados,
foi de R$ 58,5 bilhões, ou seja, o dobro da arrecadação da CPMF no mesmo
período. E quem cobre este prejuízo? O Tesouro Nacional, o mesmo que paga os
salários dos servidores públicos. (Dados da Auditoria Cidadã da Dívida).

Está escrito no projeto de Transposição do rio São Francisco (Cf. o
EIA-RIMA) que 70% das águas serão para o hidronegócio (carcinicultura,
criação de camarão e hortifrutigranjeiro s para exportação); 26% para uso
industrial e consumo urbano e apenas 4% para o povo do semi-árido. Isso é
dado técnico que o governo não tem como negar, pois está no projeto.

Os bancos recolhem por ano R$ 54 bilhões através de taxas de serviços, furto
disfarçado de lucro. A Lei Kandir isenta de ICMs (Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços) todas as exportações agrícolas e primárias,
penalizando o povo e as contas públicas nos estados e municípios. Por
exemplo, o supermercado Quarteto, de Palmas/TO, compra abacaxi em outro
estado, no CEASA de Goiânia, sendo que ao lado do município de Palmas está
uma das maiores produções de abacaxi do Brasil, mas os grandes produtores
preferem exportar, pois ganham mais com a isenção propiciada pela Lei
Kandir. O povo de Palmas, assim, paga muito mais caro pelo abacaxi que se
transforma, de fato, "em um abacaxi". Se ficasse no Brasil o ICMs sobre 14%
das exportações brasileiras, oriundo dos produtos agrícolas e primários
exportados, não seria necessário CPMF, nem IOF, nem CSSL.

Plínio de Arruda Sampaio, ao analisar a conjuntura atual na qual se deu a
greve de fome de Dom Cappio, alerta: "O processo em marcha consiste na perda
acelerada do controle nacional sobre a economia; na perda, também acelerada,
dos valores culturais que fundamentam o sentimento de identidade nacional;
na deterioração, igualmente acelerada, do meio ambiente; e, para culminar,
na esgarçadura do tecido moral do estado. Estamos em uma conjuntura
dramática. Eis alguns indícios: a situação das populações periféricas nas
médias e grandes cidades, sujeitas a viver em meio à guerra aberta entre as
polícias corruptas e o crime organizado? Que dizer do tratamento dado aos
presos; do descalabro em que se encontra a maioria dos hospitais e do
abandono das escolas públicas? A corrupção que levou quase todo o primeiro
escalão do governo a ser denunciado pelo Ministério Público não configura
uma dramática deterioração moral do estado? No tocante à reforma agrária e à
agricultura camponesa, o governo fez ainda pior: reduziu os insuficientes
aportes que havia inicialmente alocado e passou a estimular o maior
adversário da população rural: o agronegócio. Com isso, procura conseguir
grandes saldos na balança comercial de modo a favorecer a entrada de capital
estrangeiro no país."

Em 2007, o total de terras desapropriadas para fins de Reforma Agrária foi
pífio: apenas 107 mil hectares. Um levantamento do INCRA mostra que 445
imóveis em processo de desapropriação estavam sob óbice judicial no fim de
2007. Concentram-se nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste e somam 903 mil
hectares, suficiente para assentar mais de 30 mil famílias.

Estima-se que existam 170 milhões de hectares de área pública ("terras
devolutas") grilada no País, problema mais severo na Região Norte, mas
também presente em estados como Mato Grosso. Um exemplo é a Usina Pantanal
de Açúcar e Álcool, que ocupa 8,2 mil hectares da União. O empresário Mounir
Naoum, dono de um grupo hoteleiro, reivindica a propriedade. Desde 2003, o
Incra tenta retomar a área. Em dezembro, o Tribunal Regional Federal (TRF)
de Brasília cassou a liminar que dava posse à União. Próximo à área, 220
famílias de Sem Terra esperam assentamento.

Dados preliminares do Censo de 2006 (do IBGE) indicam que há 76,7 milhões de
hectares de áreas de lavouras e 172 milhões de hectares de pastagens no
Brasil.

Em tempo, se você souber de informações que o povo precisa saber que não
aparece na Mídia, favor comunicar-nos para que o colírio da verdade recupere
a visão de muita gente que foi cegada pela cortina fé fumaça produzida por
uma sociedade capitalista engrenada para oprimir.

Belo Horizonte, 07/02/2008.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Dez mil terceirizados da Revap-Petrobras aprovam continuidade da greve em SJCampos (SP)

Em assembléia na manhã desta segunda-feira, dia 19, cerca de 10 mil trabalhadores terceirizados da Revap (refinaria da Petrobras, em São José dos Campos), votaram a continuidade da greve iniciada na sexta, dia 16.


Estes trabalhadores em greve são os responsáveis pela obra de modernização da refinaria, que está 100% parada. A mobilização reivindica a negociação do reajuste salarial da categoria, cuja data-base é agora em maio.


A pauta já foi entregue em março, mas até agora as empresas não responderam aos trabalhadores e o sindicato da categoria (ligado à CUT) também nada fez.


A mobilização está sendo liderada pela Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), que há cerca de duas semanas também esteve à frente de outra mobilização dos trabalhadores da construção civil, em Fortaleza.


Na sexta, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (CUT) se colocou contra a greve e abandonou os trabalhadores. A traição gerou grande indignação na categoria, que expulsou o sindicato da assembléia realizada nesta segunda-feira.


A reivindicação dos trabalhadores é que o consórcio de empresas responsável pela obra negocie com a Comissão de Trabalhadores, eleita pela assembléia. A comissão inclui trabalhadores da obra, da Conlutas, do Sindicato dos Metalúrgicos e do Sindicato dos Petroleiros.


Cerca de 60% dos trabalhadores são caldeireiros, fresadores, serralheiros, soldadores, enfim, atuam em atividades metalúrgicas.


"Diante da forte mobilização, as empresas tentam atacar o movimento e alegam que a Conlutas é estranha à categoria. Mas, o apoio dos 10 mil trabalhadores é incontestável. Inclusive, dois diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil também apóiam o movimento", disse o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos e coordenador regional da Conlutas, José Donizete de Almeida.

"As empresas têm de parar de enrolar e negociar as reivindicações dos trabalhadores, cujos salários estão extremamente arrochados", disse.


Por volta das 11h, os trabalhadores da Revap permanecem em frente à entrada da refinaria e uma nova assembléia será realizada às 11h30 para decidir sobre os próximos encaminhamentos.

As reivindicações dos trabalhadores são:


- 20% de aumento real + INPC para todos os salários;

- redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salários;

- pagamento de 100% de horas extras realizadas durante a semana e aos sábados e de 150% aos domingos, sem banco de horas;

- auxílio-alimentação (ajuda de custo) para todos;

- auxílio-passagem a cada dois meses para os que moram fora;

- eleição de uma Comissão de Trabalhadores nas obras das refinarias de São José e São Sebastião, como também nos canteiros de obras em andamento, para junto com o sindicato conduzir as negociações;

- e o mesmo tratamento aos trabalhadores terceirizados, que é dado aos efetivos, principalmente nas questões relacionadas à saúde, higiene, segurança, salário, convênios, etc.

Fonte: www.sindmetal.org.br

Maio de 68 – Exemplo de luta dos trabalhadores!

Em maio de 1968 houve a maior greve geral da história. 10 milhões de trabalhadores franceses desafiaram a ordem estabelecida e chegaram até a obrigar o presidente a fugir do país. Todos os tipos de categoria - de metalúrgicos a meteorologistas, passando por vendedores de sorvete, enfermeiros, e dançarinas de boate – passaram a discutir uma forma de mudar a sociedade e melhorara suas vidas. Arrancaram dos patrões enormes concessões salariais e de condições de trabalho que até hoje o governo tenta tomar de volta.

Isso mostra que a organização dos próprios trabalhadores é o caminho para mudar a nossa situação. Somos nós que fazemos as engrenagens da sociedade funcionar e nós podemos pará-las. Foi também uma época de intensa contestação e criação cultural. Os trabalhadores, como na música “comida” dos Titãs, não queriam “... só comida, mas comida, bebida, diversão e arte”. Peças teatrais eram realizadas dentro das fábricas e universidades ocupadas. Trabalhadores de rádio e TV discutiam uma forma de pôr estes meios a serviço de toda a população e não apenas de um punhado de milionários.
Saiba mais e entre no site: http://sr-cio.org/index.php?option=com_content&view=article&id=366:franca-de-1968-mes-da-revolucao-licoes-da-greve-geral&catid=51:publicacoes

Organize-se e lute por seus direitos!

Nós, trabalhadores do telemarketing, estamos entre uma das categorias mais exploradas e privadas de direitos no Brasil. Insalubridade, péssimas condições de trabalho, intensificação da produtividade, baixos salários. Tudo isso contribui para que sempre exista um estado de revolta contra as empresas.

Essa revolta poderia ser melhor aproveitada se nos organizássemos para exigir nossos direitos. Revoltas individuais acontecem todos os dias por funcionários insatisfeitos que faltam ao trabalho apresentando atestados médicos, que chegam atrasados ou mesmo ainda aqueles que não exercem suas funções de modo satisfatório tentando seja forma serem demitidos.

Os patrões aproveitam o fato de sermos uma categoria sem tradição de organização e movimentos para nos explorar ainda mais. Também se aproveitam do fato de haver uma alta rotatividade, pois muitos não conseguem agüentar o ritmo pesado do trabalho por muito tempo. “Você está insatisfeito? Peça demissão e procure algo melhor!” É o que dizem aos trabalhadores.

Mas há um outro caminho, e este é o da luta conjunta. Os seus problemas como trabalhador são os mesmos de milhares de outras categorias. Sozinhos, pouco podem fazer, mas se unindo vocês podem paralisar a empresa, prejudicando o lucro dos seus patrões e os obrigando a ouvirem suas reivindicações.

Isso é algo fácil? Que dará resultados imediatos? Não! Mas a história mostra que esse é o único caminho. Todos os direitos trabalhistas que temos hoje são o resultado de lutas passadas, de trabalhadores que decidiram se juntar para melhorarem suas condições de trabalho.

Devemos começar por nós mesmos. Não devemos esperar que ninguém resolva os nossos problemas. Você que acha injusta a situação do seu local de trabalho comece a discutir com outros colegas, debata, reflita e busque as melhores formas de se organizar.

Dê o primeiro passo!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Não à ingerência do Estado na organização sindical

O Ministério do Trabalho, do governo Lula, publicou, em abril, a portaria 186/2008, sobre o processo de registros de entidades sindicais. Com a regulamentação, passa a ser de competência do Ministério do Trabalho controlar o registro sindical, resgatando a ingerência do Estado na era Vargas e, pior que isso, aprofundando essa ingerência sobre a organização dos trabalhadores.

Essa portaria é inconstitucional por extrapolar o caráter de uma portaria. Ela também abre várias brechas nas quais o Ministério do Trabalho pode decidir sobre a criação de sindicatos mesmo em locais onde já existam entidades atuantes em favor dos trabalhadores. Esse controle, de herança varguista, só mudou com a Constituição de 1988, quando o enquadramento dos sindicatos pelo Ministério do Trabalho deixou de existir, o assistencialismo foi reduzido, apesar de a unicidade sindical e o imposto continuarem existindo.

A atual portaria acaba de abrir as comportas para que uma avalanche de sindicatos fraudulentos receba a chancela estatal. Foi feita sob encomenda da CUT e da Força Sindical, duas centrais atreladas ao governo Lula, para controlar a criação de sindicatos, além de atacar, por meio da divisão, os que não se venderem ao governo e aos patrões.

A situação atual já é escandalosa. Há sérias denúncias de corrupção envolvendo a concessão de registros sindicais. Existem várias entidades fraudulentas com registros deferidos em diversas bases territoriais pertencentes a sindicatos atuantes. Há claras evidências de que se trata de uma ação orquestrada para enfraquecer sindicatos legítimos e atacar os trabalhadores representados.

Exemplos bem próximos confirmam essa avaliação. Na região Sudeste, somente na categoria metalúrgica listam-se ataques em São José dos Campos-SP, Volta Redonda-RJ e Itajubá-MG, em que entidades sem nenhuma representação convivem com os sindicatos escolhidos pelos trabalhadores. Uma “coincidência” nesses três casos: os sindicatos legítimos se desfiliaram da CUT recentemente, sendo que dois deles (São José e Itajubá) se filiaram à CONLUTAS.

Não somos a favor da unicidade sindical. Somos a favor de um regime de liberdade de organização sindical, sem nenhuma ingerência do Estado, inclusive com o fim da unicidade sindical. Por isso, não podemos aceitar esse retrocesso na organização sindical brasileira.

É preciso denunciar a completa capitulação das burocracias sindicais aos interesses neoliberais. Não é o Estado quem deve controlar a organização sindical e sim os trabalhadores, a partir de decisões pela base, em seus organismos de classe. Somos a favor de um regime de liberdade de organização sindical, a partir da unidade do sindicato de base. Só os trabalhadores por meio de seus organismos de classe podem decidir os rumos de sua organização.

Coordenação Nacional de Lutas - Conlutas


Professor da Unicamp tece críticas ao atual estágio do movimento sindical

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o professor e pesquisador Ricardo Antunes diz que o sindicalismo brasileiro atravessa um momento "triste", com uma dependência da máquina do Estado que não se via desde os tempos do getulismo - quando os sindicatos livres foram suprimidos.

O pesquisador Ricardo Antunes, professor titular de sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), analisa questões relacionadas à organização dos trabalhadores desde os anos 70 e é um dos especialistas mais respeitados nessa área no Brasil.

Para ele, o sindicalismo brasileiro atravessa um momento "triste", com uma dependência da máquina do Estado que não se via desde os tempos do getulismo - quando os sindicatos livres foram suprimidos.

Segundo Antunes, o governo atrai a cúpula dos sindicatos, federações e também centrais sindicais com convites para cargos no governo e a manutenção do imposto sindical - que no passado foi condenado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT. Ele chega a dizer que está ocorrendo um processo de estatização sindical, ou reestatização, já que repete a fórmula getulista.

Leia a íntegra da entrevista:

O governo Lula conta com apoio de quase todas as centrais sindicais, incluindo a Força Sindical - ex-arquiinimiga do PT, o partido do presidente. Como o senhor vê isso?

Os dirigentes sindicais estão muito satisfeitos. Nos festejos do 1º de Maio, o governo teve palanque tanto na festa da CUT quanto na festa da Força. Isso configura o triste caminho que atravessamos: o da reaproximação entre o Estado e os sindicatos - cada vez mais servis e incapazes de organizar os trabalhadores de modo autônomo. Está em curso um processo de reestatização sindical no País. Desde o getulismo, as centrais sindicais nunca dependeram tanto do Estado para sobreviver quanto dependem agora.

Como ocorre na prática essa reestatização da qual o senhor fala?

De um lado o governo fortaleceu e ampliou o imposto sindical, estendendo-o até as centrais sindicais, que antes não participavam dessa bolada; e do outro ampliou a presença de líderes sindicais no aparelho do Estado. Hoje temos uma somatória significativa de ex-dirigentes sindicais em ministérios, secretarias, conselhos de empresas estatais e ex-estatais que foram privatizadas.

O senhor esperava que o imposto sindical fosse mantido e até ampliado, como aconteceu?

Quando Lula ganhou as eleições presidenciais foi possível supor que antigas bandeiras da CUT fossem, enfim, vingar. Entre elas estavam o fim do imposto sindical, o aumento do autonomia dos sindicatos e o maior distanciamento entre eles e o Estado. Mas ocorreu o contrário. A recente decisão do governo de incluir as centrais na divisão do bolo do imposto sindical, com uma fatia de 10%, seria inimaginável 15 anos atrás. O que se observa é que os recursos estatais - entre eles o FAT, o imposto sindical e outros - vão se tornando fundamentais para a manutenção da vida nas centrais sindicais. Ao invés de se ampliar a autonomia, ampliou-se a presença do Estado. Nos anos 90, quando surgiram, a CUT e a Força não dependiam do imposto sindical.

Qual a relação entre a situação atual e a ocorrida no governo de Getúlio Vargas?

Com o getulismo iniciou-se no Brasil um processo de sindicalismo de Estado, consolidado com a criação da CLT, em 1943. O processo tinha vários pilares, entre os quais a unicidade sindical: a categoria podia ter só um sindicato para representá-la. Era impossível, por exemplo, a existência de dois sindicatos dos metalúrgicos em São Paulo. Outro pilar foi o imposto sindical, obrigatório desde 1939. Embora seu nome seja contribuição sindical, trata-se de imposto - porque é compulsório e atinge todos os trabalhadores, sindicalizados ou não. Vale notar ainda que no getulismo só o Ministério do Trabalho podia autorizar o funcionamento de sindicatos. Com esse recurso o governo travou a ação das organizações mais combativas, que eram quase sempre anarcossindicalistas. Por fim, o sindicalismo tornou-se fortemente assistencialista - para suprir a ausência dos sindicatos mais combativos.

Mas isso mudou com a Constituição de 1988, não?

Sim. O enquadramento dos sindicatos pelo Ministério do Trabalho deixou de existir, o assistencialismo foi reduzido, mas a unicidade sindical e o imposto foram mantidos.

Voltando a Getúlio, o senhor não acha que ele também fez concessões aos trabalhadores?

Getúlio fez concessões, reprimiu e manipulou. À medida que a legislação trabalhista foi sendo estabelecida, com o salário mínimo, redução da jornada de trabalho, estabelecimento do descanso semanal, o getulismo definiu que só poderia ter acesso a esses direitos pessoas filiadas ao sindicato oficial - reconhecido pelo governo. Era mais um passo para reprimir os sindicatos independentes e combativos. Getúlio passou para a história como o pai dos pobres, mas na verdade foi a mãe dos ricos.

Lula também tem ligação forte com os mais pobres - como mostra o crescimento de sua popularidade.

O "ibope" do presidente sobe porque ele fala e os pobres entendem. Mas o governo dele é multiclassista. A cúpula sindical, depois que ganhou maior inserção estatal, lhe dá sustentação; e entre os setores do grande capital não tem nenhum descontente com a política econômica. Enfim, garante a boa vida dos ricos, garante espaço para as lideranças sindicais e aumenta sua base nas classes pobres.

São esses pobres que garantem sua popularidade?

Vale registrar a migração que houve no governo Lula em relação à sua base de sustentação. Ela foi transferida dos trabalhadores organizados, assalariados e funcionários públicos, para a classe trabalhadora mais pauperizada, que vive de trabalhos esporádicos, sub-remunerados, nos grotões do País. Migrou de uma classe politizada para outra que depende do Estado para obter uma ração mínima.

São 11 milhões de famílias.

Sim. São quase 60 milhões de pessoas que perceberam que a política assistencial do Lula é mais ampla que a dos governos anteriores. O governo de Getúlio tinha traços de semibonapartismo, carisma e a imagem de pai dos pobres. O atual governo também tem traços de semibonapartismo, combinados com certo messianismo.

Como se manifesta o semibonapartismo de Lula?

Embora tenha origem na classe trabalhadora, o governo Lula representa as classes dominantes. E representa plenamente, sem delas fazer parte. Isso ocorre em diversos momentos ao longo da história, quando os de cima recorrem a um governo alternativo para garantir a ordem, uma vez que enfrentam dificuldades para fazer isso por conta própria. No caso brasileiro, os que mais se aproximaram do bonapartismo foram Vargas, Jânio Quadros e, agora, Lula, que tem carisma, conta com apoio policlassista e cuida de preservar a ordem. Ele é um paladino da ordem.

Fonte: O Estado de S.Paulo

quarta-feira, 23 de abril de 2008

I Congresso da Conlutas!

O que é Conlutas?
A Coordenação Na­cional de Lutas (Conlutas) é uma organização que reuni sindicatos, movimentos populares, rurais e urbanos, movimento estudantil, movimentos minoritários (mulheres, diversidade sexual, racial) do Brasil inteiro. Ela divulga as notícias, para que os trabalhadores e estudantes estejam a par das lutas do povo e ataques dos patrões no Brasil inteiro. Com isso os trabalhadores não ficam isolados em seu sindicato ou sua empresa, mas podem pedir auxílio financeiro e político (outros trabalhadores pressionarem os chefes de outra empresa, etc).

Também, muitas das lutas não são específicas de uma categoria (professores, metalúrgicos, operadores de telemarketing...), mas são lutas da classe trabalhadora, como a luta contra as reformas neoliberais do governo Lula, que retira direitos históricos dos trabalhadores, como licença maternidade e o 13° salário, aumenta a idade de aposentadoria para as mulheres. Em outubro do ano passado a Conlutas foi protagonista na organização de uma marcha em Brasília com 20 mil trabalhadores do Brasil inteiro.

Por que ela foi criada?
Para organizar a luta dos trabalhadores pelos seus direitos. As organizações que deveriam representar os trabalhadores e os estudantes, CUT (Central Única dos Trabalhadores) e UNE (União Nacional dos Estudantes) hoje estão completamente do lado do governo. Estas organizações cumpriram um papel importante nas lutas dos trabalhadores, porém, perderam a perspectiva de classe, de lutar somente com os trabalhadores, sem se unir com os patrões.

Muitos que antes dirigiam greves sindicais e atos estudantis, que pertenciam a CUT e a UNE, hoje possuem cargos altos no governo e impedem que os trabalhadores façam greve para não comprometer a imagem do governo. Desta forma, estas entidades são coniventes com as reformas do governo (as reformas universitária, trabalhista, sindical, da previdência), que atacam os trabalhadores.

Ela é suficiente? Como avançar?
A Conlutas é um grande avanço para os trabalhadores e trabalhadoras, que durante muito tempo não tinha para onde recorrer quando estava indignado(a) com a exploração que sofria em seu trabalho. Porém, os ataques que nós trabalhadores (as) sofremos dos patrões e do governo, com retiradas de direitos e piora na qualidade de trabalho, não são poucos.
Para que sejamos vitoriosos e consigamos melhoria reais precisamos de uma união e uma força maior, o que pode ser facilitado por uma central sindical. Sabemos a importância que possui uma central sindical. A CUT, na década de 80, organizou grande greves e atos que ajudaram conquistar direitos para os trabalhadores.

A Conlutas é um embrião, o primeiro passo para a construção de uma nova central sindical e popular. Junto com outras organizações sindicais, como a Intersindical, sindicatos, movimentos populares e estudantis, poderemos organizar diferentes setores da classe trabalhadora lutando pela mesma bandeira: uma sociedade igualitária, sem exploração, sem patrões e com a igualdade entre homens e mulheres.

Seja um protagonista desta história. Participe do I Congresso nacional da Conlutas, que vai ocorrer nos dias 3-6 de julho, em Betim (MG)!

Plenária do MJT para
tirar delegados para o congresso da Conlutas:
domingo 04/05, às 17 horas,
r. Carlos Petit, 199 (travessa da
r. Vergueiro), metrô Ana Rosa

Operadores dizem não aos 20 minutos que trabalham de graça!

O MJT organizou uma campanha por melhores condições de trabalho que denunciava os 20 minutos que os operadores de telemarketing trabalham a mais. Enquanto deveriam trabalhar 6 horas, muitos operadores trabalham 6 horas e 20 minutos. Algumas empresas alegam que os 20 minutos são referentes a NR 17, outras justificam que se refere a compensação do horário de almoço. Em outros casos, raras exceções, a empresa mantêm 6 horas diárias.

Os trabalhadores não são bobos, além de entenderem que por lei esses 20 minutos não deveriam existir, sabem que em primeiro lugar devem estar o trabalho digno, as boas condições de trabalho e o respeito a sua saúde, que em nada estão favorecidos quando os operadores tem que trabalhar 20 minutos a mais sem nem receberem por isso.

5 mil operadores de diferentes empresas assinaram um abaixo assinado que repudia esta prática das empresas de Call Center, exigem a retirada desses 20 minutos e afirmam “Não somos máquinas”.

Você já pegou sua doença hoje?

Doenças são uma realidade na vida do teleopredor!

Como está a sua saúde? Esta foi a pergunta que o MJT fez para os operadores de telemarketing, mais ou menos nesta mesma época do ano, no ano passado. Nesta pesquisa se confirmou que 90% dos entrevistados possuíam alguma doença ligada ao trabalho, como LER, tendinite, gastrite, dor de cabeça, náuseas, desmaios, stress.

E você, qual a última vez que sentiu alguns destes sintomas? Antes de ontem, ontem, hoje, ou está sentindo agora, enquanto lê esse papel?

No dia 28 de abril, dia da saúde do trabalhador, os operadores de telemarketing não tem nada para comemorar. Um ano depois, o MJT retorna para denunciar a continuidade da exploração nos Call Center, o assédio moral (ofensas, xingamentos, humilhações por parte do supervisor), assédio sexual, horas extras forças, acúmulo de tarefas e funções...

Enquanto isso no palácio do governo é construída a solução mágica, com vocês a NR 17! Puts, ninguém acreditou nisto. A NR 17 foi criada para melhorar as condições de saúde do teleoperador, porém, além de não ter nada de novo nesta norma, só a ergonomia (condições do ambiente) o governo nada fez para garantir que as empresas de Call Center a implementasse.

Não nos surpreendemos com a falta de melhoras no trabalho no telemarketing, que o MJT denunciou o ano passado. Pois, sugar até a última gota do trabalhador, para que esse renda o máximo de lucros para a empresa, é a lógica das empresas.

O telemarketing surgiu para aumentar os lucros, já que um operador terceirizado ganha até a metade que um operador contratado direto pela empresa do produto que trabalha.
Esta lógica perversa, em que o trabalhador sempre se dá mal, só será contrariada quando os operadores perceberem que não são um indivíduo explorado, mas sim, são mais de 600 mil no Brasil, que passam pela mesma situação. Somente unidos, e lutando para reconquistar os sindicatos como de ferramentas de luta, poderemos dizer não a todas as doenças que temos que levar para casa.

Participe do ato de denúncia as condições de trabalho no
telemarketing:
dia 28/04, ás 15h, na Rua 7 de Abril (esquina com Rua Marconi)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Como participar desta luta?!

Esta é uma luta que é diária, quando conversamos com nossos amigos, colegas de trabalho e questionamos todas as contradições que somos submetidos. No entanto, sabemos que sozinhos nossa força é muito pouca, precisamos mostrar para aqueles que nos exploram e oprimem que somos muitos e somos fortes.
O MJT é baseado na solidariedade dos trabalhadores , que muitas vezes não pode distribuir um panfleto em sua empresa, pois pode ser mandado embora, mas sabe que o que ocorre com ele no seu local de trabalho, também acontece com outras pessoas. Por isso, construímos a luta por dentro da empresa (conversando com outros funcionários nos intervalos, passando abaixo a assinado...), mas também, de forma mais pública, denunciando para a sociedade, distribuindo boletins e panfletos na porta da empresa e isso quem faz é uma pessoa que não trabalha naquele local.
Toda ajuda é valida e importante. Sem falar que é uma grande experiência ir para a porta de uma empresa conversar com os trabalhadores e chamá-los para esta luta que é de todos nós.
Mande um e-mail para juv.trab@yahoo.com.br e vamos marcar marcar uma conversa!!

VALEU!

Pela readmissão imediata dos funcionários demitidos na SD!

Aos funcionários da Serviços Digitais e usuários do bilhete único,

Serviços Digitais em véspera de conseguir ISO terá que se explicar ao público

Cinco funcionários Serviços Digitais foram demitidos após uma paralisação. Nesta sexta-feira, 04 de abril, as unidades de atendimento do bilhete único, administrados pela empresa Serviços Digitais que presta serviço para SPtrans (São Paulo transportes), se depararam com uma paralisação de funcionários que durou cerca de uma hora. Houve uma boa adesão por parte dos funcionários apesar da fragilidade na organização que encerrou a paralisação com a promessa do diretor da empresa em fazer uma reunião para discutir as reivindicações.

Não é a primeira vez que estes trabalhadores se mobilizam diante das ameaças a seus direitos por parte desta empresa que no ano passado com a ajuda do sindicato tentou convencer os funcionários de que passarem a trabalhar em regime de cooperativa seria vantajoso.

O Sindpress, sindicato dos prestadores de serviço de são Paulo, ligado a Força Sindical, que deveria representar a categoria, esteve mais uma vez ausente neste processo de mobilização, o que é uma prática comum dessa entidade, que em geral está ao lado da empresa.

Diante da situação em que se encontram as condições de trabalho nesta empresa os funcionários se viram obrigados a se moverem e viram na paralisação uma forma de serem ouvidos.

Seguindo a lógica do mercado capitalista que visa apenas o lucro, a empresa Serviços Digitais vem adotando uma política de redução de custos aonde a conta está sendo cada vez mais paga pelos trabalhadores.

A terceirização é uma dos métodos usados para privatizar o serviço público e cortar os gastos. Cada vez que o contrato é renovado, as empresas competem quem faz o contrato mais barato. Ao mesmo tempo a empresa quer garantir seu lucro. Quem sai perdendo são os trabalhadores, que cada vez vêem seus direitos retirados e os usuários, com o rebaixamento da qualidade do serviço. Quando a Serviços Digitais assumiu o serviço da SPtrans em 2005, os trabalhadores perderam vários direitos, ao mesmo tempo que o trabalho aumentou consideravelmente, com a introdução do bilhete único.

A atual situação é de enxugamento no quadro de funcionários, o que tem gerado esgotamento físico e mental, acúmulo de tarefas, afastamento médico, quebra de caixa (falta de dinheiro no caixa) e perda salarial.

A última peripécia cometida por parte da empresa na tentativa de diminuir os quebras de caixa dos funcionários foi a de suspender a cesta-básica quando verificada tal falta. Ou seja, o funcionário será punido duas vezes por ter cometido um erro que é na maioria das vezes causado pelo estresse gerado pelo alto nível de exploração ao qual está submetido.

Compreendemos que esta iniciativa por partes destes funcionários é importante e mostra que os trabalhadores estão insatisfeitos e dispostos a mudarem essa realidade.

Mas não podemos esquecer que sem a organização e união dos trabalhadores, esse movimento pode ser facilmente esmagado pela empresa e frear um processo de luta que nasce nesse momento.

A prometida reunião para ouvir as reivindicações transformou-se na demissão de cinco (05) funcionários no dia seguinte. Vale ressaltar que três funcionários que foram desligados da empresa não fizeram parte da paralisação.

É importante citar aqui as palavras do senhor Edson Goulart, responsável pelo RH da empresa, que deixam claros os motivos das demissões: ”Você não faz mais parte do quadro de funcionários devido ao acontecido de ontem”.(Referindo-se a paralisação).

A paralisação foi só um primeiro passo. Para conseguirmos garantir que a empresa atenda as nossas reivindicações, vai ser preciso continuar a luta, e de uma maneira mais organizada. Também vai ser importante garantir apoio de outros setores combativos, que também são afetados pela mesma política de privatizações e retiradas de direitos, como os metroviários.

Participe você também dessa luta! Envie e-mail para:trabalhadoressdnaluta@gmail.com

Mande e-mails de protesto, exigindo a readmissão dos funcionários demitidos para:

sptrans@sptrans.com.br e urbano.esteves@trendseng.com.br

• Contra a criminalização do movimentos sociais; Readmissão dos funcionários demitidos;

• Contratação de funcionários e fim do acúmulo de funções;

• Não ao desconto da cesta-básica por motivo de quebra de caixa e de atrasos, pois cesta-básica é um direito adquirido e não um bônus;

• Aumento de salário e do vale-refeição;

• Contra qualquer tipo de repressão aos funcionários pelo direito de organização dos trabalhadores;

• Melhores condições de trabalho(móveis adequados, ventiladores, ar-condicionado)

• Respeito aos funcionários e participação real nas decisões da empresa.

quarta-feira, 26 de março de 2008

BH: trabalhadores de empresa de telemarketing estão em greve. Conlutas (MG) pede solidariedade

As trabalhadoras e trabalhadores da AeC - CENTRO DE CONTATOS S/A, uma das principais empresas de telemarketing de Belo Horizonte/MG, entraram em greve nessa quarta-feira, dia 12 de março.

A greve é dirigida pela nova diretoria do Sinttel – Sindicato dos Trabalhadores em Telefonia e Telecomunicações – que tomou posse há oito meses, derrotando a antiga diretoria, ligada à CUT. Da atual diretoria participam militantes e simpatizantes da CTB e da Conlutas, além de dissidentes da CUT.

A empresa paga salários miseráveis e ainda vem descontando, de maneira indevida, algumas verbas dos salários dos trabalhadores, sem qualquer explicação. O piso para o trabalhador de 6 horas é inferior ao salário mínimo vigente.

Os trabalhadores são muito jovens e a grande maioria da categoria é formada por mulheres. A AeC presta serviços para o município de Belo Horizonte e para o estado de Minas Gerais e para empresas como a BHTrans e TIM.

Segundo Andréia Umbelina, diretora do Sindicato, “mais de 70% dos trabalhadores em call center são mulheres e muitos vivem a experiência do primeiro emprego. As condições de trabalho são precárias, os trabalhadores vivem sob intensa pressão no ambiente de trabalho para atingir as metas estipuladas pelas empresas. O tempo para ir ao banheiro é de apenas cinco minutos e muitos trabalhadores adoecem, contraem infecções. O lanche é uma porcaria. Por essas e outras questões o Sinttel está ao lado do trabalhador reivindicando melhores condições de trabalho e um salário digno”.

Os grevistas têm se reunido e feito suas refeições na sede da Conlutas, no centro de BH, onde foi montado o comando da mobilização.

Conlutas MG
(mensagem de 12 de março 2008)
Site da Conlutas: www.conlutas.org.br

segunda-feira, 24 de março de 2008

Dia 26 de Março é dia de luta contra a privatização da CESP

A liquidação das estatais paulistas já começou. A CESP (Companhia de Energia de São Paulo) é a maior geradora de energia elétrica de São Paulo e responde por 15% da produção do país, ainda tem o controle de grandes hidrelétricas, tais como Ilha Solteira; Três Irmãos; Jupiá; Paraibuna; Jaguarí e outras que totalizam mais de 7.000 MW de capacidade instalada.

Os consultores contratados pelo governo paulista avaliaram a CESP em R$ 6,6 bilhões, valor até 4 vezes menor que o real. Muito baixo porque desde que as bacias hidrológicas sejam devidamente protegidas e preservadas, as hidrelétricas podem gerar energia indefinidamente, portanto, não se pode estimar seu valor.

A Campanha “Serra Liquida São Paulo” impulsionada pelo PSOL é o que há de mais dinâmico na denúncia de toda a privataria promovida por Serra. Caso não haja uma forte resistência por parte das organizações dos trabalhadores, Serra ficará mais a vontade para prosseguir com as privatizações no estado de São Paulo e mais ataques à população.



Às 8 horas da manhã, em frente a BOVESPA

terça-feira, 18 de março de 2008

Vamos denunciar a super-exploração no telemarketing!

As empresas de Call Center (telemarketing) ganharam um enorme impulso no Brasil a partir da década de 90 devido às privatizações iniciadas por Collor/FHC e continuadas por Lula em seu primeiro mandato. Para cortar gastos e se manterem competitivas no mercado, as empresas realizaram demissões em massa, cortaram benefícios dos trabalhadores e terceirizaram seus serviços de relacionamento com clientes, fato este que possibilitou a proliferação do telemarketing no país.

Atualmente os Call Centers empregam no Brasil um exército de aproximadamente 600 mil trabalhadores. Composta por jovens em sua esmagadora maioria, a categoria ainda não possui regulamentação claramente definida na justiça do trabalho, o que favorece os espúrios acordos entre empresas e sindicatos pelegos.

As empresas de Call Center estão para os jovens assim como os McDonald’s, as Blockbusters etc, ou seja, elas superexploram a juventude pagando baixos salários e oferecem quase nenhum benefício, conseguindo, assim, lucros cada vez maiores às custas do jovem trabalhador.
As dez maiores empresas de Call Center no Brasil tiveram um faturamento bruto de 3 bilhões e 700 milhões de reais em 2005. Juntas, elas empregam aproximadamente 220 mil trabalhadores. Isso significa queque cada funcionário rende, em média, cerca de 17 mil reais por ano à empresa na qual trabalha! Isso equivale a quase 4 vezes o rendimento anual de um operador, que em geral recebe em torno de um salário mínimo por mês. Essa é a expressão nua e crua do capitalismo: altos rendimentos aos empresários e baixa remuneração aos trabalhadores.

+ Abertura imediata das contas das empresas de Call Center!
+ Redução da jornada de trabalho sem redução de salário!
+ Aumento do piso salarial rumo do salário mínimo da DIESSE (1.600 reais)!

Venha construir o Movimento da Juventude Trabalhadora!

Queremos construir um movimento que denuncie essas injustiças. Cada caso de exploração, opressão, exclusão e injustiça em que estamos presentes vamos tornar público. Dessa maneira vamos ser parte da luta contra os ataques dos patrões e dos governos neoliberais, seja em nível municipal, estadual ou federal. Venha discutir a construção do movimento consco!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Sindicato Metabase de Congonhas e Ouro Preto rompe com a CUT e filia-se à

A diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de
Ferro e Metais Básicos de Congonhas, Belo Vale, Ouro Preto e região,
conhecido como Sindicato Metabase, anuncia com satisfação que os
trabalhadores de empresas como a Vale do Rio Doce, CSN, Gerdau Açominas e
outras menores referendaram posição da diretoria eleita nas últimas eleições
de desfiliar-se da Central Única dos Trabalhadores e ingressar na
Coordenação Nacional de Lutas - Conlutas.

A filiação à Conlutas é parte da luta da categoria por se livrar das
direções pelegas que dominaram por anos o movimento de mineração. A Central
Única dos Trabalhadores, organizada no setor como CUTVALE, além de apoiar as
reformas neoliberais do governo Lula tornou-se o braço sindical das grandes
mineradoras e impediu toda e qualquer mobilização contra os acordos
coletivos rebaixados que enfiaram goela abaixo da categoria e da qual esta
central é cúmplice.

A opção de classe do grupo CUTVALE ficou claro na última campanha salarial
quando, reproduzindo os boletins do RH da Vale do Rio Doce, ela fez uma
ampla campanha pela criminalização do movimento acusando os sindicatos
combativos (fossem ou não da Conlutas) e o MST de terroristas por realizarem
paralisações nas ferrovias, nas minas e na FCA em Belo Horizonte.

Nós decidimos nos filiar à Conlutas, pois acreditamos que ela seja o
principal instrumento da reorganização do movimento operário e popular, do
sindicalismo combativo, classista e independente de patrões e governos. Em
breve nos veremos no Congresso da Conlutas, no Encontro Latino Americano e
Caribenho dos Trabalhadores e nas lutas que nos aguardam.

*A LUTA CONTINUA!*

DENÚNCIAS: SPCOM (São Paulo)

Mensagem de um teleoperador anônimo

ATENÇÃO OPERADORES DA SPCOM E DE OUTROS CONTACT CENTERS:

Tem gente na SPCOM que, trabalha em uma operação, onde o serviço é igual para todos, mas, os salários, são bem diferentes!

Pense num lugar onde você, trabalha em uma operação, onde seus colegas ganham 500 e, você, ganha 350! DETALHE: Para fazer o MESMO trabalho! E no MESMO SETOR!!!
Pensou? Isso acontece, DE FATO, na SPCOM!

(OBS: Os valores do exemplo acima, são fictícios)

O RH desta firminha, de fundo de quintal e, que só tem nome, é um antro de imprestáveis, cheios de má vontade e, até, de má educação! Te tratam como GADO!

Costumam errar TUDO! Até algo, "extremamente complexo" para um RH, que é programar, os pagamentos nas contas correntes, via internet.

(Eu escrevi "...QUE SÓ TEM NOME?" Pfff...)

OUTROS DETALHES:

* Cadeiras, computadores, Head-sets, discadores e móveis caindo aos pedaços.
LITERALMENTE FALANDO!!! OS CARAS DA T.I. DE LÁ, SÃO HERÓIS!!!

* Espuminhas FIXAS nos Head-sets.
HIGIENE PASSA BEM LONGE DA SPCOM!!!

* O sistema de telefonia, é UM LIXO!
Você liga para o Rio de Janeiro, e parece até que você, está ligando para Cuba ou para o Oriente Médio, de tão ruim que é a qualidade da ligação!

* Lanchinhos massudos e cheios de salito da TOKTAKE!
TOKTAKE DA CONTAX PIORADO! SENTIRAM O DRAMA?

* NÃO FIQUE DOENTE NA SPCOM!
O "MÉDICO" DA "EMPRESA", É USADO PARA COLOCAR SUA IDONEIDADE EM DÚVIDA!
TE COLOCAM PARA TRABALHAR, MESMO DE LICENÇA!

* Atrasam seu vale-transporte, seu adiantamento, seu salário...
Carteira do convênio médico? Espera uns NOVE MESES... NO MÍNIMO!

*Você se atrasou 30 minutos na semana? Descontam até o seu DSR!!! (PARA ISSO, ELES PRESTAM...)
Em OUTRAS EMPRESAS, só descontam seu DSR, se você falta!

* OS SUPERVISORES SÃO VERDADEIROS CAÇADORES DE JCs!
Qualquer coisinha, querem te demitir por justa causa.
ALÉM DE TE PREJUDICAREM, AINDA PODEM NEGAR O PAGAMENTO QUE LHE É DEVIDO!

MEU CONSELHO: EVITEM ESTA EMPRESA O MÁXIMO QUE PUDEREM!

quarta-feira, 5 de março de 2008

Fofocas da mídia burguesa revelam quem paga as contas no Brasil!!

Uma boa olhada as informações diárias da grande mídia, nos revelam o pensamento da ideologia dominante, que mantêm os interesses da pequena parcela da população, que detêm a economia e o poder político. No dia de hoje não foi diferente: desqualificação e desrespeito com os trabalhadores, tentativas de congelar as lutas, atrelando os sindicatos e centrais sindicais ao estado, enormes lucros para poucos....

Diante de tantas contradições do sistema sócio-econômico em que vivemos, o capitalismo, que prega a democracia e, ao mesmo tempo, excluí a grande maioria da população do acesso a educação, saúde, moradia, muitas são as estratégias da burguesia para o povo não se organizar contra tamanha exploração e desigualdade.

Uma grande forma de alienação da população é a mídia, que sufoca o povo com uma ideologia individualista, voltada para o consumo e o bem próprio, vendando e amordaçando a todos. Sabemos que isto não é o suficiente e que "onde houver exploração, haverá resistência", como dizia Che Guevara.

Por isso uma forma muito eficaz de impedir as lutas, tem sido a "derrubada" dos instrumentos de luta e organização dos trabalhadores, os sindicatos. Lula aprendeu muito bem com o Vargas, que na década de 30 criou uma estrutura sindical que fazia dos sindicatos quase um órgão do governo, que servia para conciliar os empregados e os patrões, no favorecimento destes últimos.

Esta política, em que o sindicato está vinculado ao estado, se mantêm. O Ministério do Trabalho, mais uma vez está na cena do momento. Envolvido com o maior número de convênios irregulares, entre as instâncias federais, são 31,8 milhões de reais pendentes, no período de 1999 a 2006. O grande absurdo é que partes desses convênios irregulares, que não cumpriram com os acordos de retorno financeiro, são 3 das maiores centrais sindicais: a Força Sindical, que deve 15,5 milhões de reais, a CUT, devedora de 2,4 mi de reais, e a Associação Nacional dos Sindicatos Social Democratas, 12 milhões de reais. O que seriam dessas centrais se não fossem essas ajudinhas do governo?

No mesmo jornal, o presidente Lula desqualifica e ameniza ás péssimas condições de trabalho que os brasileiros ainda são submetidos, afirmando que na Revolução Industrial, no século XVIII na Inglaterra, era bem pior. Mas, muito se engana ele se acha que os trabalhadores vão se contentar com esta realidade, já que ela poderia ser pior. A coisa fica mais clara quando falamos nos trabalhos análogos aos da escravidão, que estão em milhões Brasil a fora. Só em 2007, 5.877 trabalhadores foram libertos desta situação, sendo que 53% ocorreram em usina de cana.

Enquanto isso, na liga dos milionários....


Setor bancário lucra 45,4 bi em 2007, o referente a uma alta de 35,9% em relação ao resultado de 2006. Boa parte deste aumento, é referente às tarifas e taxas cobradas de pessoas físicas. Em outras palavras, mais uma vez quem paga para se manterem os grandes lucros da burguesia é você, eu e o resto do povo.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Denuncie a empresa que vc trabalha!!!

Não leve desaforo para casa. Em várias empresas os operadores estão percebendo o quanto assusta os supervisores e ameaça os lucros da empresa, quando eles se organizam e reivindicam melhores condições. Vários operadores juntos possuem uma grande força, que supera o perigo do desemprego e das represalhas.

Lembre-se, sem os operadores o call center não vai funcionar!!!

O MJT vai até a empresa divulgar para todos os funcionários, através de boletins, as irregularidades e condições precárias de emprego.
Mande um e-mail para nós com as informações sobre sua empresa, para que nos juntemos nessa luta.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Crescimento do emprego formal: Trabalhadores em luta

O Ministério do trabalho comemora um de seus grandes feitos, o crescimento do emprego formal. Em janeiro este crescimento foi de 35,5% ante o mesmo mês de 2007. Os maiores crescimentos são referentes a setor de indústrias de Transformação (50.045 postos), serviços (49.077 postos) e construção civil (38.643). Este relativo aumento no emprego com carteira assinada é referente a um amento de demandas internas. Um crescimento econômico junto com o aumento nos empréstimos, favoreceram a construção de imóveis e do consumo.

Tamanho crescimento do emprego não é proporcional a uma diminuição no desemprego, que só é 0,5% inferior ao ano passado. Este ano é 9,5%, nas regiões metropolitanas, enquanto em 2007 era 10%, o que nos mostra um gande crescimento da população economicamente ativa, assim como uma certa transferência do setor informal para o setor formal. Assim, o crescimento no mercado de trabalho ainda não é o suficiente para assegurar a inclusão de toda a demanda.

Em 2008 o crescimento previsto é de 1,8 milhões de novos trabalhos. Porém, a crise que ronda os EUA e os países europeus não perdoará o Brasil por mais um ano. Especialistas acreditam que em 2009 os empregos serão afetados.

Outra característica do mercado de trabalho é o aumento de vagas que exigem maior qualificação. Para resolver tal problema o governo ira destinar 800 milhões reais para convênios com instituições que promovam formação profissional, incluindo sindicatos. Desta forma o governo mata muitos coelhos com uma única cajadada, privatiza cada vez mais a educação, na medida em que não investe nas instituições públicas de educação e atrela os sindicatos a estrutura estatal, ferindo sua independência e autonomia, dificultado a organização das lutas dos trabalhadores, sua verdadeira função.

O que podemos concluir com certeza é que cresce a classe trabalhadora no Brasil. Episódio como esse já vimos em outros momentos da história, como na década de 30, com a industrialização, durante o governo do Vargas; com a abertura da economia para as transnacionais, no governo militar, e em ambos os casos ocorreram grandes lutas dos trabalhadores. As greves no ABC, no final de 70 e começo de 80 não nos deixam mentir.

E agora, o que dará a equação do crescimento do mercado de trabalhos, junto com as precarizações, através dos trabalhos terceirizados, dos ataques as leis trabalhistas, como a Reforma da Previdência, Trabalhista e Sindical?
Os trabalhadores vão se calar e abrir mão da sua parte no crescimento da economia para manter os enormes lucros das empresas?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Denuncie aqui as injustiças de seu local de trabalho!!

Estamos fazendo um abaixo assinado reivindicando melhores condições de trabalho, específico para a Teleperformance (ler texto abaixo). Vários funcionários ajudaram na elaboração do panfleto e do abaixo assinado e estão colhendo assinaturas.

Hoje, três ativistas do MJT (Movimento da Juventude Trabalhadora), na primeira atividade pública da campanha, em uma permanência de uma hora e meia, conseguiram 43 assinaturas, mesmo que no começo as pessoas estivessem receosas, por serem as primeiras, foi um grande começo, de uma grande vitória.

Durante este pouco tempo em que estivemos na empresa, foram muitas as denuncias que escutamos dos operadores emputecidos com as condições de trabalho, mas tal realidade não se limitava a um operador, mas sim, era uma realidade da empresa.

Denuncie aqui você também, o que está acontecendo no seu local de trabalho, para que outras pessoas possam saber.